Aula 11:
Ética e Deontologia na Assessoria de Imprensa
Será que o jornalista se apercebe que o assessor ao lhe dar informações o pode estar a manipular? Isto porque o assessor tem lucros nas campanhas, nas vendas.
Não admira que um jornalista não se aperceba, porque ao que consta, apenas 28% das notícias dadas sobre política são de autoria dos jornalistas. Visto isto, parece que os jornalistas estão na "mão" das fontes.
Citação: "Mais de 60 por cento das notícias sobre política dos quatro maiores diários portugueses são induzidas por fontes profissionais".
Estudo da Universidade do Porto
Mas isto acontece em grande parte, em casos de eleições. E quem sofre com isto é o público que pode estar a ser mal informado.
Citação: "A população praticamente só é alvo de exposição mediática durante as campanhas eleitorais e por motivos pouco lisonjeiros". Vasco Ribeiro
A verdade é que conforme as estratégias de comunicação se vão desenvolvendo, também vão sendo mais "falsas", para que o jornalista não se aperceba de nada. Por isso mesmo, os jornalistas são muitas vezes manipulados e estão no poder das fontes.
Vêem-se cada vez mais campanhas mais ambiciosas, mais persuasivas, para que os jornalistas pensem que é apenas uma estratégia comercial/promocional e não queiram fazer parte dela. Existem estas formas, entre outras, de convencer os jornalistas, sendo a maior parte delas ilegítimas.
A mentira não deve existir... A relação entre um assessor e um jornalista deve ser cordial, honesta. A mentira num assessor não tem futuro porque as pessoas deixam de acreditar nele e isso também prejudicará a empresa.
Se um assessor é honesto e diz ao jornalista que há algo que não pode ser divulgado está a "convidar" o jornalista a investigar o caso, mas se mentir será muito pior; È preferível uma relação de confiança entre ambos. Para não dizer que fugir é tao grave como não dizer a verdade.
Não existe uma ética regulamentada e sancionada na assessoria de imprensa. Isto traz problemas como a falta de transparência, verdade, equidade.
Se o jornalista não tiver consciência de que o assessor o pode manipular, e apenas estiver preocupado em que as notícias saiam em primeira mão será um mau sinal.
Os jornalistas têm que ter consciência de que um assessor é alguém com interesse numa determinada estratégia comunicacional e que não é nada inocente.
Para que este problema seja diminuído, não digo exterminado, os jornalistas devem estar bem atentos, terem espírito crítico, decidirem se querem ou não publicar certas "coisas", e darem o destaque aos assuntos da forma que acharem melhor e não como os assessores lhes propuserem.
Citação: "Começamos, sem duvida a encontrar-nos perante um tipo de jornalismo que - para se formar e alcançar um nível tao elevado e apurado de conhecimentos - deve situar-se muito próximo das suas fontes, deve ter uma convivência intensa e estável".
Relações Públicas, 11º ano, Mª da Luz Oliveira, Texto Editora.
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